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sábado, 13 de abril de 2013

Crítica: Tex Ouro n° 64 - A Tragédia do Trem 809

(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)


| Situação de Tex | Cenário | | Espíritos de carne e osso |

O trem 809 transporta o pagamento da guarnição de Forte Canby e isso desperta a atenção de um grupo de bandidos, liderados por Lennox, os quais resolvem abocanhar a grana. Tex Willer está no trem, que é desviado de trilhos sem que os maquinistas percebam, o que provoca o trágico descarrilamento do trem. Quase todos morrem e Tex escapa com um braço quebrado. Conseguirá o ranger, em meio a uma nevasca infernal, e com o braço quebrado, escapar vivo desta aventura?

 Dramático

 A situação em que o ranger se encontra na aventura A Tragédia do Trem 809 é dramática, porém excitante. Ver Tex conseguir, com um braço quebrado e ardendo de febre, derrotar (sozinho) uma quadrilha de assaltantes e salvar todas as vitimas do acidente do trem, é algo fora de sério.


 Os leitores que reclamam de que Tex quase nunca se machuca, sendo praticamente um "superman" do velho oeste, não poderão reclamar nesta aventura. Aqui, Águia da Noite passa maus bocados e chega até a pensar que não conseguirá resolver o problema, e é justamente o modo como ele resolve tudo que é o grande trunfo do enredo.

 Whhoosssh...

 O cenário de A Tragédia do Trem 809 caiu como uma luva para a aventura. Não é só na hora em que a nevasca vira o trem que o cenário se destaca, e sim durante toda a trama. Aqui, a neve dá um tom espetacular para a aventura, encantando o leitor.


 Visualmente, o saudoso Marcello deu um show à parte nos desenhos e soube, com maestria, transmitir ao leitor a proposta do roteiro, que era de colocar Tex diante de vários problemas (incluindo o tempo). E por falar no roteiro, Boselli soube usar o tempo nevado tanto contra Tex como também contra as vitimas da tragédia do trem e até mesmo contra os bandidos de forma formidável. O excelente resultado, deve-se ao entrosamento que roteirista/desenhista tinham, uma sintonia superada apenas por G. L. Bonelli/Galep.

 Desde quando fantasmas usam flecha?

 A Tragédia do Trem 809, tem como história paralela o passado da vida pessoal do engenheiro Castleman, que traiu a confiança de sua esposa índia e sua tribo. Esse passado, é explorado secundariamente no desenrolar da trama e se torna o foco principal no final da aventura, e é aqui que acontece a única falha da aventura.

Mal e com um rifle apontado para a cabeça, Castleman estava  praticamente morto, mas é salvo pelos espíritos dos índios (da tribo de sua esposa), que chegam dando flechadas no bandido que ameaçava o engenheiro.

 Ridículo. Boselli, nesta cena, forçou ao fazer espíritos "tocarem" em arcos e flechas. Havia mil e uma maneiras de salvar Castleman e dar um "fim" à sua história de vida. É claro que, esta decisão do roteiro não mancha a qualidade da aventura, mas deixa um pequeno arranhão nela.

Conclusão:

 Ler A Tragédia do Trem 809 é quase como uma obrigação de todo texiano que se preze. Deixar de ler uma aventura dramática, cheia de surpresas e reviravoltas como esta, é um erro imperdoável. Seja pelo enredo ou pelos desenhos, A Tragédia do Trem 809 é certeza de uma boa leitura e de uma ótima aventura.

Nota: 9,5

sábado, 15 de dezembro de 2012

Crítica: Tex Ouro 48 - Missão em Boston

(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)


 | Antagonista bem trabalhado | Desfecho satisfatório | | Cenário inapropriado | Lutas desnecessárias |

 Lançado no Brasil em maio de 2010, Tex ed. Ouro 48 - Missão em Boston, traz uma história totalmente diferente das que estamos acostumados a ver/ler.

 Nesta edição, Tex e Carson são enviados a Boston para investigar um tráfico de armas que tem um índio navajo envolvido. No desenrolar das investigações, Tex e Carson conhecem Pierre, um agente da pinkerton que faz a eles um resumo sobre o que sabe sobre o tráfico, revelando que o chefe da polícia está envolvido na organização. E com essas informações, os rangers fazem de tudo para acabar com o tráfico.

 Neve e Tex não combinam

 "Tempinho bom! Já estou com saudade do sol que deixamos no Arizona". Esta fala de Carson resume perfeitamente a sensação que o leitor terá enquanto lê a aventura. Embora Civitelli retrate com perfeição a neve da cidade de Bonston e esta seja a intenção do roteiro, fica claro que este cenário não combina com nosso Ranger.



Aqui, em vez de deserto, sol, cavalos, diligencias, cawboys e ambiente aberto, o leitor verá o oposto: neve, temporal, cidadãos comuns e ambiente fechado. A impressão que dá, é de não ser uma história de faroeste, e sim policial, à lá Nick Raider. A única diferença é que, em vez de táxi, Tex e Carson andam de charrete.

 Em outras palavras, se no lugar de Tex, estivesse Nick Raider, não mudaria nada.

 Réquim vs Tex

 Se por um lado o roteiro erra em escolher um enredo (policial) que não combina com Tex, do outro acerta em cheio na escolha do antagonista (vilão). Réquim é quem executa as ordens do capitão Corbett e de Beaumont, e também é Réquim o responsável de quase toda ação da história.

 Réquim não usa apenas armas para enfrentar Tex e Carson, mas também a astúcia. As batalhas entre herói e vilão protagonizam os melhores momentos da aventura. Na ação, vemos o tradicional bang bang e uma perseguição que vai do quarto de um hotel até o cais. E na astúcia,  Réquim e Tex disputam pra ver quem é o mais esperto. Neste ultimo quesito, um consegue enganar o outro em determinado momento.



 Não precisava disso

 Outro ponto negativo da história são algumas brigas desnecessárias. Nesta edição, o roteiristaa coloca umas lutas divertidas, porém, sem precisão. Que é legal ver o Tex dar uns sopapos em alguns caras folgados, não há dúvida, mas nesta aventura fica a sensação de que não precisava disso.

 Durante a prisão de Tex e Carson, seus "colegas" de cela tentam limpar os bolsos dos rangers enquanto eles estavam aparentemente dormindo, e aí é soco pra tudo que é lado. E quando nossos pards são liberados, Tex cruza com o guarda que havia lhe batido com um cassetete e ali mesmo decide ir à forra.

 Esses combates, não acrescentam absolutamente nada na história. E o que é pior: as 12 páginas desperdiçadas nessas brigam fazem falta no final. Nizzi poderia usar essas páginas para explicar algumas coisas que ficaram sem resposta, como por exemplo, qual era a causa do povo de Julia Calvi que fez com que ela lutasse pra recuperar o dinheiro roubado por Beaumont.



 Acabou como tinha que acabar

 O desfecho de "Missão em Boston" aconteceu como deveria acontecer. Como a proposta do roteiro era de uma aventura com ar policial, o fim foi satisfatório. Todos os culpados, com exceção de Beaumont, são presos e descobertos.

 Não tinha como não ser assim. Ficaria muito estranho se, por exemplo, o capitão Corbett e Réquim não fossem presos. Que graça teria se eles (Corbett e Réquim) fossem mortos sem serem desmascarados e ficassem impune de seus crimes. Volto a repetir que este fim foi satisfatório pelo fato de ter sido uma aventura policial.


 A única morte entre os mentores do tráfico de armas, a de Beaumont, não só foi satisfatória como também trouxe a única carga de emoção que a aventura teve. Beaumont morre pelas mãos da bela Julia Calvi, que vinga a morte de seu pai e também seu povo, a quem Beaumont traiu pela avidez do dinheiro. A cena poderia ter sido ainda mais emocionante se Nizzi usasse as páginas que usou nas brigas entre Tex e os presos/guarda para explicar a causa do povo da Julia, como foi mencionado no quesito acima.

Conclusão:

 Missão em Bonton é uma boa aventura, mas pode ser considerada ruim por alguns. Inserir o gênero policial em Tex e mudar radicalmente o cenário em que estamos acostumados a ver, pode desagradar os fãs do ranger, mas não chega a comprometer a qualidade da história. Ação, perseguição e surpresas estão presente no enredo desta edição. Se você não se importa com as questões  negativas (gênero policial e cenário oposto do velho oeste) citadas na crítica, esta é uma aventura interessante, por trazer elementos nunca visto antes no mundo texiano.

 Nota para a edição: 7,0